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sexta-feira, 2 de maio de 2014

My way or the High Way

Tudo o que é novo assusta-me um pouco. Sou uma criatura de hábitos. E sou-o porque passei tanto tempo a procurar segurança, que os hábitos são precisamente uma forma de me sentir abraçada por uma muralha impenetrável, em que nada de mau pode acontecer.

Tudo nos meus últimos meses tem sido novo. Ser mimada, ter alguém para acarinhar, alguém que me ama como é amado de volta. A minha família a aceitar alguém novo. Ser aceite e bem-vinda noutra família. Tudo isso é maravilhoso e bom. 

O que não é maravilhoso, ou bom, é estar numa noite fantástica, fechada e em baixo. E só confesso isto, porque não tenho como espantar esta tristeza. Explico: para os meus sogros, estou como que a mais. É algo do género "ela pode existir, desde que não interfira na nossa família". E eu não sei como lidar com isso. Não sei como lidar como o facto que hoje vou ter como companhia a minha almofada e nada mais. 

O pior é que não posso ficar chateada nem berrar, porque ele não tem culpa. Porque já estive nos seus sapatos e sabe Deus como isso me custou. Como desafiei constantemente a minha família, como fui corrida e agredida com as mais incisivas frases e palavras porque nunca deixei que me moldassem. Sou o que sou, porque escolhi assim ser. Desde que tinha 11 anos e me fecharam numa sala com uma juíza que queria dar a custódia paternal à minha mãe, quando claramente isso era um erro. Eu gritei, lutei por mim e consegui o que queria. E não foi por orgulho. Foi por amor. Umas vezes por mim própria, outras por quem eu achava que era o homem com quem acabaria os meus dias. 

Mas amadureci. Hoje não é que não valha a pena esbracejar. Só que é preferível escolher as batalhas em que me envolvo. E foi precisamente o conselho que lhe dei. 
Especialmente porque nunca sabemos o que o destino nos guarda. A vida é feita de grandes amores, mas geralmente quem fica é o sangue do nosso sangue. E até esse, de vez em quando, se eclipsa. 

Este é o meu desabafo. E agora vou dormir. 

Mas antes, em jeito de nota de rodapé, dá-me raiva sim. Alguma raiva que as pessoas não me compreendam. Não percebam como eu tento cuidar das pessoas de que amo. E como isso pode afectar positivamente a vida das mesmas. Ninguém está a roubar um filho ou uma filha. Só se está a oferecer amor. É assim tão...difícil... Compreender isso?