Tudo nos meus últimos meses tem sido novo. Ser mimada, ter alguém para acarinhar, alguém que me ama como é amado de volta. A minha família a aceitar alguém novo. Ser aceite e bem-vinda noutra família. Tudo isso é maravilhoso e bom.
O que não é maravilhoso, ou bom, é estar numa noite fantástica, fechada e em baixo. E só confesso isto, porque não tenho como espantar esta tristeza. Explico: para os meus sogros, estou como que a mais. É algo do género "ela pode existir, desde que não interfira na nossa família". E eu não sei como lidar com isso. Não sei como lidar como o facto que hoje vou ter como companhia a minha almofada e nada mais.
O pior é que não posso ficar chateada nem berrar, porque ele não tem culpa. Porque já estive nos seus sapatos e sabe Deus como isso me custou. Como desafiei constantemente a minha família, como fui corrida e agredida com as mais incisivas frases e palavras porque nunca deixei que me moldassem. Sou o que sou, porque escolhi assim ser. Desde que tinha 11 anos e me fecharam numa sala com uma juíza que queria dar a custódia paternal à minha mãe, quando claramente isso era um erro. Eu gritei, lutei por mim e consegui o que queria. E não foi por orgulho. Foi por amor. Umas vezes por mim própria, outras por quem eu achava que era o homem com quem acabaria os meus dias.
Mas amadureci. Hoje não é que não valha a pena esbracejar. Só que é preferível escolher as batalhas em que me envolvo. E foi precisamente o conselho que lhe dei.
Especialmente porque nunca sabemos o que o destino nos guarda. A vida é feita de grandes amores, mas geralmente quem fica é o sangue do nosso sangue. E até esse, de vez em quando, se eclipsa.
Este é o meu desabafo. E agora vou dormir.
Mas antes, em jeito de nota de rodapé, dá-me raiva sim. Alguma raiva que as pessoas não me compreendam. Não percebam como eu tento cuidar das pessoas de que amo. E como isso pode afectar positivamente a vida das mesmas. Ninguém está a roubar um filho ou uma filha. Só se está a oferecer amor. É assim tão...difícil... Compreender isso?