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domingo, 22 de setembro de 2013

Warwick Avenue

Custou deixar o Thèo para trás. 
Não por uma questão de amor. É verdade que ainda o amo. Não como o amava. Não daquela maneira. Mas ainda o amo. Como um amigo. Como alguém que caminhou o mesmo caminho que eu. Que faz parte de mim. 

Dei por mim a escrever enquanto ouvia a Warwick Avenue da Duffy. Já tinha servido de banda sonora há uns anos, quando ele me partiu o coração e mudou para sempre aquela inocência que existia em mim. Que acreditava que o amor triunfa sempre. 

Custa-me sobretudo, porque mais do que amantes, éramos amigos. Porque sei que ele nao está bem, por mais que o finja. Porque tive de dizer adeus à família que sempre me acolheu. Aos espaços onde me sentia segura. Mas ele magoou-me. Muitas vezes. Ele próprio admitiu, que me fazia sofrer de propósito. E eu fui quebrando. Pouco a pouco fui desistindo. Fui-me largando. Libertando da loucura, da paixão ardente, do amor incondicional que sentia. 

Agora resta pó. Cresci. Abri portas à loucura outra vez. E redescobri aquela sensação maravilhosa das borboletas na barriga. Mas isso não me devolve a amargura de ter sido tão magoada pelo meu único Amo-te. Pelo homem com quem pensava ter filhos e casar. Que segui fielmente mesmo quando quem me ama me via destruída pela forma como ele me desiludia. 

Sei bem que eventualmente vou amar outra vez. Mas nunca será com aquela ingenuidade, a beleza de um amor genuíno, sem preocupações, sem razão. Feito só de emoção. Feito só de amor.