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sexta-feira, 2 de maio de 2014

My way or the High Way

Tudo o que é novo assusta-me um pouco. Sou uma criatura de hábitos. E sou-o porque passei tanto tempo a procurar segurança, que os hábitos são precisamente uma forma de me sentir abraçada por uma muralha impenetrável, em que nada de mau pode acontecer.

Tudo nos meus últimos meses tem sido novo. Ser mimada, ter alguém para acarinhar, alguém que me ama como é amado de volta. A minha família a aceitar alguém novo. Ser aceite e bem-vinda noutra família. Tudo isso é maravilhoso e bom. 

O que não é maravilhoso, ou bom, é estar numa noite fantástica, fechada e em baixo. E só confesso isto, porque não tenho como espantar esta tristeza. Explico: para os meus sogros, estou como que a mais. É algo do género "ela pode existir, desde que não interfira na nossa família". E eu não sei como lidar com isso. Não sei como lidar como o facto que hoje vou ter como companhia a minha almofada e nada mais. 

O pior é que não posso ficar chateada nem berrar, porque ele não tem culpa. Porque já estive nos seus sapatos e sabe Deus como isso me custou. Como desafiei constantemente a minha família, como fui corrida e agredida com as mais incisivas frases e palavras porque nunca deixei que me moldassem. Sou o que sou, porque escolhi assim ser. Desde que tinha 11 anos e me fecharam numa sala com uma juíza que queria dar a custódia paternal à minha mãe, quando claramente isso era um erro. Eu gritei, lutei por mim e consegui o que queria. E não foi por orgulho. Foi por amor. Umas vezes por mim própria, outras por quem eu achava que era o homem com quem acabaria os meus dias. 

Mas amadureci. Hoje não é que não valha a pena esbracejar. Só que é preferível escolher as batalhas em que me envolvo. E foi precisamente o conselho que lhe dei. 
Especialmente porque nunca sabemos o que o destino nos guarda. A vida é feita de grandes amores, mas geralmente quem fica é o sangue do nosso sangue. E até esse, de vez em quando, se eclipsa. 

Este é o meu desabafo. E agora vou dormir. 

Mas antes, em jeito de nota de rodapé, dá-me raiva sim. Alguma raiva que as pessoas não me compreendam. Não percebam como eu tento cuidar das pessoas de que amo. E como isso pode afectar positivamente a vida das mesmas. Ninguém está a roubar um filho ou uma filha. Só se está a oferecer amor. É assim tão...difícil... Compreender isso? 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

E mais além.

O fim de semana foi delicioso! Sabado, aproveitando a saída do meu pai, decidi cozinhar para o meu pianista. 
Creme de cogumelos, filetes de pato com salada de parmesão a acompanhar e mousse de lima para um remate digestivo. Estava mesmo au point e serviu para impressionar o meu namorado. 

(Por falar em NAMORADO, é coisa a que me habituei a chamar. Finalmente. E sabe tão bem que não me canso de o dizer. Moving on...)

Não houve coisa mais fantástica que vermos um filme com a minha cabeça no seu peito, para no fim, trocarmos mimos e adormecermos colados um ao outro. Acho que nunca consegui aguentar uma noite assim, agarrada a alguém. Há sempre uma primeira vez para tudo! :)

No Domingo de manhãzinha equipámo-nos e montámos a Safira a caminho da ExpoSalão na Batalha, não sem antes nos juntarmos ao grupo com quem tínhamos organizado o caminho. Foi um admirável mundo novo para mim. Fantástico mesmo. E adorei. Pela EXPOMOTO ainda comprei o meu casaquinho novo de Cordura com as protecções adequadas, da mesma marca que a do namorado mas em preto e azul - esta ultima precisamente a cor da Safira. 

Os problemas começaram pouco depois. 
O meu pai tinha-nos convidado a visitar a casa do seu amigo nas Caldas da Rainha. Aliás, o que ele fez mesmo, foi moer-me o juízo para ver se eu cedia e ia com ele no sábado. Cedi o Domingo, combinando que assim que estivesse pronta, íamos ter com ele.

A contragosto, o pianista lá acedeu. Eu não devia ter insistido. Moí-lhe a paciência, fiquei eu em cheque pelas birras do meu pai. Curva, contracurva. Paragem para a Saphi arrefecer. Chegamos 2 horas depois do previsto. Já estava tudo de saída. Foi um flop. E senti-me culpada por arrastá-lo para as tretas do meu pai. Ele já podia estar descansado em casa e estava ali, comigo a chorar como uma miúda parva. 

Mas ele foi paciente. E carinhoso. Tudo aquilo que eu precisava. E mais além. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Os altos, os baixos

Duas semanas depois, a minha vida é caótica. 
As coisas com o sr. professor têm corrido às mil maravilhas, não obstante existirem algumas arestas a limar. Coisas a que não estou habituada e que me dão um certo receio. 
Ontem apercebi-me de algo importantíssimo: tenho de me entregar menos. Não que ele não mereça, mas se assim não for, vou desgastar. Vamo-nos desgastar. E é bom demais para eu querer que isso aconteça. 

Sinceramente, nunca conheci um homem assim. É muito muito semelhante ao meu sonho de homem. Trata-me bem, cuida de mim e vê-se que é louco por mim. Será o suficiente para durar? Só o tempo o dirá. 

Por falar em tempo, tem estado uma chuva desagradável. Combina perfeitamente com o mau feitio do meu pai, que me tem levado quase à loucura. Por vezes, a situação é tão desagradável que só me apetece chorar. E como não consigo ficar calada, a situação frequentemente escala. E o pior é que ele agora decidiu fazer uma birra de menino mimado e deixou de me falar. Enfim. 

Igualmente desconfortável, foi deixar o Thèo de vez. Nunca o quis magoar, embora o tenha feito. 
E ainda que inicialmente o discurso dele tenha apontado a possibilidade de ficarmos amigos, ele deixou de me falar. É extremamente triste pensar que chegámos a este ponto. Com tantos altos, milhões de baixos, promessas de amor incondicional e ausência de resposta. Ausência de comunicação. 


domingo, 30 de março de 2014

Levaria uma vida inteira a explicar o que sinto...

Mas vai um resumo aqui.  

(Que eu aqui não consigo fazer embed. :( )

segunda-feira, 24 de março de 2014

Ensaias tu, palavreio eu

As nuvens passam ligeiras,  rosadas, alaranjadas, enquanto ele ensaia no seu piano. Imagino uma cena de filme. O tempo passa e tento manter-me despercebida para não lhe estragar o trabalho. Evito uma certa melancolia, que a música traz, que a música emana em mim. Flutuo aos poucos, cerrando os olhos e olvidando a realidade. Ignorando que o tempo passa, que na realidade alguém toca. Imaginando que a música declara-se na minha mente, longínqua. 


Perto e longe vejo o caos dos edifícios. A vida mundana. Que é dos outros mas já não é minha. Porque uma vida com música não é mundana. É como um renascer. Como se eu fosse uma fénix. Melhor: como se fosse cega e surda e subitamente me destapassem os olhos, os ouvidos e as cores, a alma das pessoas, se revelassem mais visíveis que antes. 

E da melancolia passo à felicidade. Porque não há espaço para infelizes na música. A vida enche-se de amor, a Primavera é perpétua e bela, as flores desabrocham constantemente e nunca perecem. É isso a música. Mesmo a triste. Mesmo os lamentos maravilhosos de quem as trouxe ao mundo me enchem de felicidade. Porque sofrer é não ouvir. Sofrer é não poder sentir o bater das teclas, o deslize nas cordas ou o sopro na palheta. 
E lembra-me o que é ser humano: tocar no nirvana e explorar algo tão mágico, fantástico e belo com os nossos sentidos. 

É impossível, não libertar uma lágrima ocasional. Não de tristeza, ou sofrimento. Mas da forma como o som nos toca a alma. Nos abraça o coração e o desliza para fora, batendo ao som do ritmo, das notas e dos compassos. 

Preciso de ar para sobreviver, é certo. Mas preciso de música para viver. Para sorrir, amar, dar um passo no caminhar da vida. 

E estou grata. Tão grata por poder sentir, sentir ao som de algo mais ou menos maravilhoso. De ouvir. De fechar os olhos e conseguir imaginar toda uma centena de circunstâncias, de memórias, de sonhos, ao som de uma "banda sonora". Aquela que tem de inundar a minha vida e afogar o desalento das mágoas, da tristeza e dos obstáculos da vida. 

Seria impossível para mim ser feliz sem música. Talvez porque nasci com música. Talvez porque cresci com música. Sobretudo porque ela me convidou a viver e conviver com ela. E quem me dera falar não com palavras, mas com música. Porque talvez, talvez, conseguisse tocar no âmago das pessoas com som e não com palavras, tão repletas de sabor, por vezes incompreensível, outras vezes aprazível e noutras ainda, amargoso. 

E é algo que não posso ousar sequer aprender. Um conhecimento, um dom, para além da minha banalidade. 
O dom de me tocar primeiro com o som e só depois com as mãos lânguidas e mornas. E como eu nunca fui tocada assim, senão pelo amor da minha mãe quando tocava para mim, sinto-me, quiçá, novamente, pequena e aconchegada. Amada. Cuidada. Aninhada. 

Não é qualquer homem que, de facto, me deixa rendida, apaixonada, só usando um dos meus sentidos. E não é por ser instrumentista. É pela capacidade de reproduzir maravilhosamente algo tão belo. Que me deixa arrepiada. 
E o sexo é fabuloso. Não. Não o carnal. Isso deixo para outra composição. Falo do envolvimento do som com o meu corpo. 

Não é o piano, não é outra coisa qualquer. É a vontade de me dar tudo aquilo que poderia pedir. E mais. É dar-me vida. Regar-me e podar-me como se eu fosse um bonsai. Pequeno. Frágil. Sensível. 

É isto que me faz gostar de ti. E gostar de me perder a escrever enquanto te ouço. Enquanto, involuntariamente, me enches de vida. Me enches de amor. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Só porque não sou assim TÃO narcisista

Mudei as fotos de fundo das minhas maçãs! :)
E juntei o útil ao agradável para inspirar-me ao mesmo tempo que vejo sítios que gosto e me deixam feliz! 




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Thèo





Sabes, apetecia-me dançar um slow contigo.
Sim, eu sei que não és o maior fã de dançar. Mas não custava nada. Era só agarrares a minha cintura and go with the flow.

Já te disse mil vezes que tens um sorriso expressivo. Estonteante. Lindo. As rugas que fazes quando sorris são deliciosas. E os teus olhos? Estás sempre a escondê-los, nem sei bem porquê.

Estou sentada na sala. Lembras-te do que fizemos aqui? Sim? Fecha os olhos e lembra-te dessas doces memórias. E lembra-te também de rodopiarmos na areia. De pouparmos água com duches partilhados. Lembra-te disso tudo.

Disseste-me algumas vezes que és bipolar. Não somos todos? Uns mais, outros menos. Chama-se a isso sentir. É isso que nos faz sentir vivos. Que nos faz amar, querer, saborear, chorar, sofrer, sorrir, gritar (que amamos alguém, p.ex.)...etc.
É Natal. E no Natal dizem-se as verdades. Partilha-se o que vai no coração. Partilham-se sorrisos. Eu, gostaria de partilhar contigo que TE AMO. Que no momento em que te escolhi, fi-lo para sempre. Com os teus defeitos e virtudes. E que estarei aqui até me largares a mão.
Portanto cuida de mim, que eu cuidarei de ti. Porque te quero. Porque te amo. Porque me amas também.

Dica: tenta perceber porque te chamo Thèo. Tudo no mundo tem um significado. Tu também tens para mim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Coisa que me esqueci de avisar...

Estou a precisar de uma VALENTE friday night, bem regada, com comida, bebida e muita mas muita dança!



(não amo a KP mas isto dá mesmo vontade de sexta-feira'r)

domingo, 23 de outubro de 2011

It's Raining Again




É domingo e eu odeio domingos. Antecedem sempre uma semana intensa de stress, trabalho e muito provavelmente drama(s).

E ainda por cima chove. E eu só gosto de chuva quando estou em casa: onde posso ver um filme ou enroscar-me com o Thèo ou então acalentar-me com um cobertor, uma caneca de cacau e o meu portátil onde naturalmente estarei a namorar a próxima aquisição para o roupeiro.
Hoje deu-me para investir em mim. Substituí a colecção primavera-verão pela outono-inverno, tomei um fantástico e relaxante banho.
Há tanto que queria fazer depois deste domingo, nenhuma dessas coisas posso, o que deprime ainda mais um domingo chuvoso. Queria marcar uma viagem para Paris sozinha e aventurar-me que nem louca, ou torrar três centenas em presentes para mim própria. Mas como tenho trabalho pela frente e estou algo tesa, a probabilidade de isto vir a acontecer é...nula.

Conclusão: mais uma semana de idas para o trabalho à chuva, de falta de dinheiro para comprar algo que de facto me fique bem (sirva, vá), e a monotonia de sempre.
Quero férias e um prémio no Euromilhões. Custará assim tanto?

P.S.- Thank God, tenho os meus amigos para que tudo se torne mais tolerável e até divertido.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Every Teardrop Is A Waterfall




Apesar do jingle amororso da música dos Coldplay, não há nada de amoroso nos meus últimos dias.
Bem, à excepção da vitória do nosso querido líder, do futuro perdido que Portugal acabou de encontrar, não tenho estado muito bem.

Passo a vida numa busca. Numa quest, para ser mais específica.
É inerente à minha personalidade procurar uma cara metade. Loucura. Estupidez. Parvoíce. Sei lá. Romantismo talvez. Não que esteja péssima sozinha. Mas estou melhor acompanhada.

O Thèo tem-me relembrado que está por aqui, ao meu lado, ainda que não como namorado. Eu sei que ele me quer de novo. Que sente a minha falta. Que me ama.
Mas por vezes, isso não é suficiente. Ou será?
Tantos casais que conheço, não têm o que nós temos. Aliás, eu e o Thèo fomos um grande casal entre nós, naquilo que é parte essencial dum namoro. Mas estávamos, e estamos, nitidamente em patamares diferentes. Visões diferentes da vida, ambições distintas, sonhos diversos. Enfim, somos diferentes demais para o futuro. E eu quero alguém para o futuro.

Sexta-passada o Llermo tentou beijar-me. Fiquei destroçada. Sempre achei que o nós enquanto amizade estivesse primeiro que o ele, indivíduo. Para mim sempre esteve. Daí ter alimentado o que o levou à tentativa. As mãos dadas, os mimos. Mas para mim era só a cumplicidade que eu via como amigos muito especiais. Amigos que existiam um para o outro de tal forma que o carnal não os destruiria. Parece que estava profundamente errada.
Ainda não sei bem como lidar com ele. A confiança, o respeito que julgava haver entre nós evaporou. Esperemos que volte.

Para além deste bump gigante in the road, outras desilusões se seguiram.
O JP que promissor como sempre foi, desapareceu do mapa. O C. que fez justiça ao ditado longe da vista, longe do coração. Se calhar até mereci esta.
No fundo, sou do mesmo pólo que os homens que me interessam. Conclusão: os pólos iguais afastam-se.
Conseguirei um dia ter uma cara-metade que eu queira, ou terei simplesmente de me contentar com o que tenho?

P.S.(D.)- Lembrei-me de algo novo. Recordam-se que andava a sonhar com velhos amigos (hoje até sonhei com alguém perfeitamente inesperado!), que tinha saudades do Ramos? Pois é, voltei a aborda-lo. Relembrei-o do postal que em tempos me enviara de Firenze e do livro que me dera com carinho em tempos.
Estou desertinha de o reencontrar num café. Mas será que voltaremos alguma vez à cumplicidade do passado?
Não percam o próximo episódio! =]

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quando o Douro sussura





Sei bem de onde veio o sonho. O desfecho feliz, descontraído, tipo conto de fadas ao meu puro estilo.

Conhecia-o há já algum tempo. As poucas conversas tinham deixado sempre um grande hiato entre nós. O tempo ia passando, as palavras não desabrochavam e o número de telemóvel dele estava entrelaçado no meio de todos os outros. Sem destaque, sem interesse. Um dia lembrei-me de o provocar de novo. Tal como havia feito antes. Na altura mantive uma certa distância tendo em conta que estamos separados por rios e muitos quilómetros de terra. Demasiada terra.

Palavra a palavra, confissão a confissão, descobrimos lentamente que somos muito semelhantes. As conversas faziam-me sentir num prado, com um lago no fim, para o qual olhava e onde via o meu reflexo na água cristalina. Queria ser mais específica, contar o que nos confessámos, aquilo sobre o qual nos rimos, mas foi tão rápido, tão pouco mas ao mesmo tempo tanto, tanta intensidade.

O problema logístico era simples: ele lá, eu cá. A voz longínqua dele ao telefone preenchia-me um pouco mas não era suficiente. Grave com aquela pronúncia reconfortante sobre a qual eu troçava de modo a rirmo-nos um pouco. Um dia decidi que era hora de olhá-lo nos olhos. Conversar frente a frente, com o rio aos nossos pés e as pontes tão belas a servir de fundo ao fascínio que ele me criava.

Aproveitando um evento que supunha termos em comum, peguei no carro e conduzi. Horas e horas. A música como companhia, como um tambor numa marcha, a incentivar a expectativa. Senti-me livre, louca, aventurosa. Senti-me eu mesma.

Chegada ao amplo salão, com o Douro a sussurrar-me saudades, procurei-o. Percorri todas as faces naquela sala. Perguntei subtilmente por ele. Não estava lá.

Desiludida resignei-me. Estava convicta que ele estaria lá. A aguardar-me. A aguardar pelas promessas que tínhamos feito um ao outro. Ansioso, como eu, por poder debater filosofia, a vida, o mundo, a política e nós. Queria que ele me lapidasse. Que desse o brilho que ultimamente estava tão desvanecido em mim.

Antes de partir, de voltar a casa perguntei-lhe porque não o vira. Desfez-se em desculpas. Mas as desculpas servem para quem sente com a cabeça e não para quem tem coração.

Nessa noite senti arrependimento. Arrependi-me de ser ingénua. De permitir tal afeição. Voltei com um sabor amargo de derrota. Como se estivera em guerra com o destino e ele ficara a rir-se do meu falhanço em controlar a vida. Em tomar a pulso a alegria e a felicidade.

Abri a porta e senti um roçar na minha face. Assumi que fosse da chuva, dos pingos que apanhara entre o carro e a porta de ferro pesada, ainda mais pesada devido ao peso no meu coração, que me separava de casa. Mas o roçar não parou e facilmente percebi que a fonte que humedecera o meu rosto era, nem mais, nem menos, que os meus olhos.

No dia seguinte tentei ignorar que tudo aquilo se houvera passado. Fui muito mal sucedida, diga-se de passagem. Mas pelo menos tentei. Mais um dia monótono. Um colega bastante homossexual e daí atrevido e directo disse-me que tinha cara de quem acabara de levar com um par deles. Fingi um riso e desmenti-o. Estava bem. A chuva é que me irritava.

Ao chegar a casa do trabalho, senti uma enorme necessidade de escapar. Queria fugir da monotonia e ir para o único sítio onde me sinto completa. Completa por me sentir um pássaro. Por ter a cidade que tanto amo aos meus pés. A cidade que deixei para estupidamente enamorar a sua rival, como se fosse novamente uma adolescente parva com um fraquinho por corresponder. Mas mais: por conseguir imaginar-me a saltar do muro para o ar, voando pela cidade, livre, mesmo que no fim me custasse a vida.

Ao chegar sentei-me. Uma cerveja pela frente só para não ter a mesa vazia. Na verdade, nunca fora muito fã de cerveja. Só a bebia com amigos ou para distracção social.

Tinha frio. Estava um sopro que me congelava. Nas palavras dos Clã, quem sabe se não seria o próprio sopro do meu coração.

O telemóvel começou a vibrar sobre a mesa verde de metal. Era ele. Deveria atender ou não? Ignorei-o. Achei que ele parasse por aí.

Ele tentou de novo. Atendi, fazendo de conta que estava bem. Que ele não me afectara de todo. Perguntou por mim. Perguntou se estava em casa. Confessei que estava no meu estado de Graça, com Lisboa aos meus pés. Voltou a pedir desculpa, ele. Fingi aceitar. Fingi-me normal e ele acreditou.

Subitamente, por trás, ouvi os sinos da igreja a repicar. O que me estranhou, foi consegui-los ouvir no fundo da voz dele também.

Virei-me. Ali estava ele. Incrédula perguntei como. Tínhamos amigos em comum. Alguém lhe dissera que estava ali. Tremi de nervosismo. Ele assumiu que fosse de frio e abraçou-me inesperadamente.

Não estava à espera, de todo. Queria conversar com ele. Ser má, dura, difícil e fria. Mostrar-me independente do que ia na mente dele e no seu coração. Show-off, naturalmente.

Perguntei-lhe onde ficaria. Silenciou-me com um dedo sobre os lábios. Puxou-me a mão. Queria perder-se comigo, na cidade. Há duas horas que me procurava. Pedira direcções para chegar até à igreja, até mim. Agora só se queria perder de novo. Mas comigo na sua mão.

Expliquei-lhe que não me conseguia perder na minha cidade mãe. Ele sorriu. Pediu para eu tentar. Analisou o meu descontentamento e beijou-me. Simplesmente beijou-me. Os lábios dele com os meus. Juntos. E eu não o afastei, muito pelo contrário.

Quando nos separámos, ele respondeu-me muito simplesmente: se não te perdes comigo, pelo menos perde-te por mim.

Nesse momento acordei. Liguei a luz. Procurei algum sinal que tudo isto fora verdade. Que ele estava comigo. Que finalmente a distância se tornara em algo relativo. Que o que interessava agora éramos nós. Sentados num banco, ao vento, agarrados um ao outro. Nada o era, como é claro. Foi só um sonho, tolo, de conto de fadas. Mas quem me dera que os sonhos se realizassem...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

non stop

Estou a ter umas semanas de morte.
Muitos sustos. Cansaço. Tristeza.
Um bom amigo chateou-se certamente por não lhe responder atempadamente. Alguém poderia dizer-lhe que é o custo de ser meu amigo - chegar até mim é como navegar no mar durante uma tempestade tropical. Sou difícil. E não consigo ser mais fácil.

Outro amigo desapareceu do mapa. Desisti. Bem sei que nunca desisto, mas não tenho força para puxar para mim quem nitidamente não quer ser puxado.

Descobri um irmão no processo. Que magoo involuntariamente mas que não sei como amar de forma diferente.

Julguei ter atrasado mais a minha vida, mas talvez possa andar com o relógio para trás e emendar o erro.

E agora, agora encontrei alguém que me dá alguma paz e que é um reflexo de mim. Os reflexos enganam mas sou inocente, ou pelo menos faço-me de inocente, portanto tento ir na maré.

domingo, 20 de março de 2011

Fly me to the moon

Que bela lua iluminou a minha Lisboa nesta noite.
Só faltou um vestido bonito, uns sapatos que o fizessem brilhar e um par com quem dançar um slow sob a 25 de Abril.
Fica o desejo para a próxima vez.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Rêve





Julgo que foi a primeira vez que sonhei com ele.
Não é uma cara estranha, muito pelo contrário. É alguém que me fascina, mas na verdade sei que não tenho coragem de o abordar. Já pensei em convidá-lo para um café, para conversarmos, mas faltou-me a lata...e a coragem.

Foi um sonho que desejava nunca ter acabado. Foi revigorante, interessante, educativo.

Tudo começou com um pedido: que eu lhe fosse comprar uns livros à livraria. O ambiente era diferente daquele em que nos costumamos cruzar. Parecíamos estar em Cambridge ou Oxford, num fundo quase que suspenso pelo tempo.

Fui comprar-lhe os livros e levei-os ao seu gabinete (nunca tinha visitado o seu gabinete, aliás, desconheço que tenha um até).

Tenho um grande defeito, que me leva a perder um pouco a noção do tempo e da realidade: quando alguém me interessa, faço meu desafio pessoal conhece-la melhor e chegar ao seu âmago, à sua essência.
Sou uma conversadora. Adoro conversar. Adoro poder aprender, debater, defender as minhas ideias fervorosamente, argumentar, contar histórias.
E através disso, acabo por dar um pouco de mim e receber um pouco dos outros.

No seu gabinete, tentei criar um chit-chat com ele. É que ele sempre me interessara. Com poucas palavras agradeceu-me e disse que tinha que fazer. Agarrei-me mentalmente aos livros que tinha na sua estante. Vi Orgulho e Preconceito, como a tentar saltar à vista. "É um romântico" disse-lhe eu. Surpreendido anuiu, mas continuou concentrado no que estava a fazer. Perguntei-lhe se ele se importava que eu pegasse no livro, se o tirasse da estante. Vi a sua cabeça a responder-me que não. Abri-o e li a minha passagem favorita "In vain I have struggled. It will not do. My feelings will not be repressed. You must allow me to tell you how ardently I admire and love you.", na parte em que Mr. Darcy se confessa. Li-lhe também "He is a gentleman; I am a gentleman’s daughter; so far we are equal".
Fechei o livro com violência. Não me prestara atenção. Devolvi o livro ao seu lugar, pronta para sair. Quando ia a passar a porta, ouvi-o a perguntar qual era o meu clássico favorito. Dividida, respondi-lhe que seria ou Anna Karenina ou O Príncipe. Ficou admirado. Uma rapariga que pelo poder e pela líder em que se pode tornar, está disposta a viver em tragédia e na solidão de não poder ter quem quer, é dramático - respondeu-me.
Virei-lhe costas e saí.

Tinha razão ele. Toda a razão. Desde muito cedo me conformei que para atingir os meus sonhos, poderei ter de abdicar do meu coração. As mulheres que admirava tinham elas próprias sido traídas pelo coração, ou vivido muito pouco o amor.

Voltei no dia seguinte. Tinha revelado mais de mim do que ele de si.
Não estava. Procurei-o.
Encontrei-o na biblioteca a preparar algo. Tinha os phones nos ouvidos. Algo, alguém, me tinha dado a entender que era fã de pop-rock britânico contemporâneo. Honestamente não sei de onde tirei essa ideia. Quando o vejo na realidade imagino-o com um ar muito mais de Blues.
Sentei-me à sua frente com um Menezes Leitão nas mãos, cujas páginas entrelaçadas nos dedos indicariam a qualquer pessoa que passasse por nós que estava mais atenta à figura dele que ao livro. (Coisa que nem deve ser tida em conta, já que afinal de contas, dias antes sonhei com o Prof. Vaz Serra e o Prof. Antunes Varela a discutirem sobre a obrigatoriedade de declaração de aceitação do devedor perante uma Remissão)

Reparou finalmente em mim. Perguntou-me se o ia deixar alguma vez em paz. Sorri e disse-lhe que ainda me faltava saber qual era, afinal, o seu clássico favorito.

A República respondeu-me. Fazia sentido. Concentrei-me no estudo, enquanto o meu cérebro processava a informação do que lia, dividindo a sua concentração a processar aquilo que já sabia a respeito dele.

Aproveitei a saída dele para também eu sair. Mas ele dirigiu-se ao edifício e eu comecei a andar para a estrada. Não percebi que me estava a seguir. Já estava quase no meio da rua quando ouvi-o perguntar atrás de mim "Porquê eu?". Virei-me. "Não sei. Porque não?". Não tinha percebido que um carro se estava a aproximar a alguma velocidade. Era já tarde e no Inverno, o dia acaba cedo demais. Ele puxou-me o braço embora o condutor do carro já me tivesse visto e se tivesse desviado. "Não quero que morra por falar comigo!". Soltei um riso. "Estou convencida que vou morrer velha e cheia de desgostos!", respondi-lhe.
"Quer conversar? Venha comigo". Segui-o.
Este, acho que foi o clímax do meu sonho. A parte em que cheguei a ele. Em que deixou de ser alguém distante para se disponibilizar a ouvir-me e a deixar-me ouvi-lo sobre algo que poucos sabiam. Nesse momento tornei-me como que especial - ele abrir-me-ia a porta da sua pessoa.

Falámos durante horas no seu escritório. Sobre Tolstoi, sobre Maquiavel. Sobre os meus sonhos. Sobre a personalidade dele. Sobre o segredo que teríamos de manter em relação à nossa amizade.
O sonho acaba connosco a adormecermos no chão, à luz duma lamparina de luz ténue e amarelada.


Pensei em escrever-lhe uma carta, ou um e-mail a contar-lhe que num pequeno momento, numa construção irreal do meu subconsciente, fomos amigos.
Mas falta-me coragem e assim, ele que tanto me interessa, com quem poderia ter as mais fantásticas conversas, continuará à mesma distância. E eu continuarei sentada nas cadeiras sob os olhos dele, no meio das dezenas de pessoas que tal como eu, são apenas um décimo na vida dele.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Parents



Deus teve a bondade de me dar uns bons avós. Vá lá que compensam os pais que tenho.
A minha mãe é quase inexistente na minha vida. É como uma amiga distante a quem conto as coisas mas que vejo muito de vez em quando. Hoje em dia as coisas estão bem melhor que antes, felizmente.
Já o meu pai, é a relação mais complicada da minha vida. Acho que também a razão pela qual acabei por me tornar tão complicada e de por sua vez, gostar de homens complicados.

O meu pai é do género que critica o seu próprio pai. O meu avô até no 25 de Abril o levou à escola! Chovesse, nevasse, acontecesse o que acontecesse, o meu avô estava lá. Não deixa de ser um homem complicado, com os seus defeitos, mas estava lá.
Não vale a pena pedir ajuda ao meu pai porque, ou está ocupado, ou está confortável demais no sofá.

Da última vez que lhe pedi para me ir buscar à faculdade, afinal de contas estava a chover tremendamente, até porque podíamos almoçar juntos em casa dele que fica a 5 min de carro, disse-me para ir de metro... que basicamente consistiria em mais 50m à chuva que o trajecto para o meu apartamento.

Diz ele que eu tenho carta e posso conduzir...mas ele lembrou-se de vender o meu carro (bem, era dele mas supostamente deveria servir para eu conduzir). A sério, nem me queixo muito de andar de transportes públicos...afinal de contas, é maior a poupança.

A gota de água foi hoje: na sexta passada tinha-lhe mandado uma sms porque queria combinar um almoço no Domingo em casa dele depois de ele me ter convidado. Ainda aguardo resposta...

Há pouco telefonou-me aos gritos porque não tinha ido ao escritório tratar dos papéis da contabilidade. Ora, eu geralmente faço-o em casa e portanto tentei aproveitar o dia para estudar (tenho exame amanhã) e deixar para o fim do dia para ir a uma entrevista de emprego e depois passar pelo escritório. Mas como cheguei tarde ao escritório e ele estava com pressa para sair...ouvi os típicos gritos dele.
Enfim.
Eu sei que há pais piores, mas ao menos esses não agem como os melhores pais do mundo...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um post tardio de agradecimento




Obrigada aos meus amigos todos do Facebook, que se lembraram de cuscar o separador dos aniversários e me deram os parabéns.
E também aos que me enviaram sms's calorosas.

Obrigado àqueles amigos que marcaram presença no meu jantar, mesmo em época de exames: o meu casal de eleição M+P, o Guillermo, o Marcelo Jr., o Rui Nuno, o Zé B. e o Jota. Pelas diversas situações em que me marcaram, justificou-se o convite e foi um prazer tê-los por perto.

Ao Jota um agradecimento especial por ter-me dado a chance de curtir ainda mais a minha noite, quando, na verdade, a felicidade não estava na ordem do dia. E ao Guillermo e Marcello, que ficaram a dançar comigo sob a linda lua que espreitava sobre a Ponte de Salazar.

Ao Théo, pelo presente que melhorou a minha qualidade de vida, pelo passeio por Belém e pela explicação artística. Acho que a única forma de perceber melhor a arte que vimos seria através de quem a compôs.

Obrigada ao Veri, que me deu a Lua. Ofereceu-me uma vista privilegiada para as estrelas e para o cosmos. Pelas belíssimas flores que me disseram às 5 da manhã, que vale a pena viver. Obrigada.

Não posso olvidar a Sra. D. Teresa que me telefonou a dar os parabéns.

E obviamente saudar a família, que me compôs um almoço e um jantar à maneira, para que eu saiba que estão sempre comigo. Obrigada a todos por tornarem este dia mais especial. Obrigada!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Quelque jour...



...est bon pour une conversation en français. Je n'ai pas habitué d'écrire en français. Surtout depuis que mon francais est rouillé comme l'enfer.

J'aime beaucoup mon copain. Et c'est une raison suffisante pour faire tout ce que je peux pour passer temps avec lui. Cela ne signifie pas que il n'y a pas d'espace libre pour nous-mêmes. Nous utilisons juste le temps que nous avons après le travail pour être ensemble, tout le reste nous consacrons à des amis ou pour endormi.

Quand les fêtes viennent, il est toujours difficile de faire des plans avec le copain. Vous essayez d'obtenir un certain temps pour être ensemble à la plage, près de la piscine, dans une ville étrangère, que ce soit.
Sauf que mon copain va travailler cet été, comme il l'a fait au cours des trois dernières années.
Voyager à Milan, à Paris ou à Londres est hors de l'équation. Que d'aller à ma maison de plage. Ou à sa maison de campagne.

Il est donc naturel pour moi de se sentir dévasté. Desolé. Mes projets, mes rêves, ne deviennent réalité. Et cela est navrant.
Même si je sais que c'est pas sa faute, je suis en même temps peur. Craignant que un mois et demi séparés declaré notre relation à la mort.

Et c'est ce que je ressens aujourd'hui. Tristesse. Anger. Peur.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Moontravelers




(diálogo irreal)

J - Já tenho os óculos. Trouxeste a manta e as gomas?

V - Já! Vamos andando?

J - Bora!

(deitados numa superfície algo desconfortável mas quentinhos debaixo de uma manta e com a J a empanturrar-se de gomas)

V - Olha para cima!

J - Wow! Que bonita! Achas que alguma vai cair na Terra?
V - Naah!
J - E se forem robôs tipo Transformers?!
V - Ainda me deves um cinema!

J - Oh! Estrelas cadentes não contam?

V - Não!
J - Não deixam de ser bonitas.
V - Pois não.


Meet me at the moon, moonwalker!

domingo, 20 de junho de 2010

É triste

A minha falta de jeito para homens.
Em tempos era a confessora ideal. A miúda que só servia como amiga. Era um macho honorário, o que me deixava orgulhosa num ambiente em que a confiança não se discutia.
Um dia tudo mudou. Passei a ser mais do que a miúda que dá murros a brincar, que explica o que é um fora de jogo, que dá conselhos de amor.
Passei a ser mais centro, a ser amada, sentimento estranho para mim. Passei a ser procurada, a magoar por tentar não magoar. Estou desesperada. Ter um amigo verdadeiro é mais difícil, manter uma amizade também. Não sei dizer "não te amo", "não te quero" e deixo-me ir com medo de magoar, de ferir, de fazer sentir o desespero e tristeza que também já senti.
Gostava de não ser fria, permissiva ou inconstante. Gostava de não magoar. É assim tão difícil?
Talvez não. Não quero ser a c**ra que magoa insensivelmente. Quero ter amigos sem ter de os ferir ou ter medo de o fazer.
Quero ser melhor. Lidar melhor com homens e dar-lhes a maior felicidade possível!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

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Cupcakes deliciosos by Casinha do Pão


Jeanne - Parabéns!


Thèo - =)

Jeanne - Há algo que me queiras pedir?

Thèo - Não. E tu?

Jeanne - Que me deixes acordar contigo mais vezes!

Thèo - Nesse caso também tenho algo a pedir-te.

Jeanne - O quê?

Thèo - Que não me deixes.

Jeanne - Nunca te vou deixar. Mesmo que quisesse, não conseguiria.

Thèo - Prometes?

Jeanne - Prometo. Mas nunca me deixes sozinha!

Thèo - Combinado! <3