domingo, 17 de fevereiro de 2008

Espíritos revoltos

Minha amiga és tão sabida
Andas de mão dada comigo,
Morte minha querida...
Tu és um perigo!

Não há como te escapar
Pois és tão certa como nascer,
Bates à porta sem avisar
E tiras-nos todo o nosso viver.

Mas querida porque és tão feia?
Quando ceifas a beleza da vida!
Tu és uma aranha negra numa teia
Esperando uma presa inocente ou ferida.

Efermidade ou acidente
Será oportunismo?
Tu és tão paciente
Esperas até o afoito que arrisca.


Morte bateste-me três vezes à porta. Eu sei porque ouvi esse bater leve mas audível e cheirei esse odor pestilento. Mas não te abri a porta. Esperaste. Cansada de esperar pegaste nesses teus ossos promíscuos e partiste para levar outro às portas do Mestre do Inferno. Saberias que não era a minha hora? Ah sim. Claro que sabias. Por vezes esqueço-me que és sabida, manhosa, paciente. E esse teu beijo tão doce, que suga a vida a tudo o que, bem a tudo o que tem vida?. Mas nesse momento sabias que eu não estava sozinha. Não estava cega e desprovida de companhia celestial como os outros que levas. Tu minha amiga, tu sabes tudo.Sabes quando me virás buscar. O dia, a hora, e até o minuto. Ah! E não nos esqueçamos do segundo, que tu sabes com certeza. Sou uma pobre. Somos todos uns tolos sem rumo que nem sabemos se neste mesmo instante algo acontecerá e tu nos vens visitar com o simples propósito de nos tirar deste mundo ímpio. Continuo a escrever...Uma certeza que tenho, é que só deixarei de escrever quando me levares contigo para os campos verdejantes, que não são mais que ninhos de lombrigas, cobras e labaredas. Consomem-nos, queimam-nos! És tão egoísta. Levas-nos mas queres a nossa companhia pois não nos deixas voltar. Agora que penso nisso até me arrepio. Tenho medo de ti. Agora sinto este meu espírito jovem, sonho viver um dia num mundo melhor e ambiciono ser alguém. Mas não sou nada senão um corpo.

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