
No dia em que a conheci, pensei que fosse assim uma loonie ou algo do género. Era uma miúda, mesmo miúda. Porra! Tinha menos 9 anos que eu. Mas naquele momento a miúda leu-me a vida toda, o perfil inteiro e fez de psiquiatra. Achei-a um máximo. Que iria longe, a miúda.
Passaram-se 7 anos e estou pasmada com a evolução. Ela era despenteada, gordinha, um caos ambulante. Não me julguem por isto: eu sempre andei nos cabeleireiros e a vestir os últimos gritos da moda. Aos 22, então, já lia Vogues e isto e aquilo. O jornalismo de moda já era uma obsessão, um namoro que dera frutos.
Mas a miúda não. 13 anos e ainda tinha muito para viver, um futuro para delinear. Hoje, eu com 29, ela com 20, vejo as diferenças. O que o tempo mudou.
Emotiva, as always, a miúda fez-se mulher. Já se pinta, já tem uns vestidos muito decentes que a põem muito lady.
Uma vez estávamos num café da Guerra Junqueiro, O Astro, favorito dela pelos doces e afins (sim, eu sou daquelas que não permite um grama de gordura nas refeições), ela olhou para uma montra que se via da esplanada e disse-me que queria ser uma lady. Ri-me. "Queres que te arranje um príncipe inglês é?". A miúda só disse que queria ser uma mulher e parar de ser rejeitada. Achei-lhe piada. Tinha 17 na altura e achava-se uma vítima por só ter amigos. Mal sabia ela que o príncipe lhe cairia do céu.
De todo o modo, hoje encho-me de orgulho. Tirando umas imperfeições, que vêm da absoluta incapacidade de poupar tuscos para comprar uns outfits que variem mais, a miúda já é mulher, já tem 20 aninhos e deixou de ser um caos ambulante para ser uma mulher impressionante. Não deixa, no entanto, de saber mais do que eu sobre relações humanas. Estranho como o mundo é...
[Crazy - Alanis Morisette ft. Seal para O Diabo Veste Prada já que também tu vives naquele burburinho metropolitano, no orgulho de ser uma mulher poderosa e ao mesmo tempo nos braços do teu próprio Nate]
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