segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Portas

"Ao principio todas as portas estavam abertas. Depois foram-se fechando. E eu passei a lutar para que o corredor das oportunidades não ficasse permanentemente imerso na escuridão. Foi por isso que desenhei uma janelinha"

Há momentos na nossa vida em que temos de olhar para trás. Avaliar sobre se o nosso esforço foi compensado ou não. Se agimos bem nas situações que colocaram o nosso carácter à prova.
O dilema é sabermos se a nossa valorização do "nós" é maior do que a da sociedade, da realidade.

Comparar é comum, mas a premissa pode estar errada,

Por vezes, avaliamos a nossa prestação através de outros exemplos que estão num patamar acima. É um erro. Só sentimos uma injustiça maior e nem sempre o mérito está à vista, possivelmente até seremos injustos também com os outros.

Então como avaliar a nossa prestação quando não podemos usar os outros como critério?
Rebaixamo-nos? O imediato sentimento que surge quando somos preteridos?

Talvez. Talvez a modéstia nos faça trabalhar mais. Porque no fundo, a única medida do nosso trabalho é não pararmos. Fugirmos da preguiça e continuamos a trabalhar até não haver mais nada. Porque aí teremos os melhores argumentos para vencer: a persistência, a dedicação e o sacrifício que demos enquanto deixámos os outros passarem pelas portas que nos estavam vedadas.
É essa a chave da injustiça: esperar. Mas esperar sem parar de mostrar trabalho.

E os amigos que têm o poder de nos fechar as portas? Bem, dói ser aprisionado por quem amamos. Ainda assim, há que confiar que um dia poderemos provar que as conclusões deles estavam erradas.

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