Como é que eu faço para que pare? Whisky? O método de auto-destruição do costume?
Desta vez não percebo. Fui genuína. Fui fantástica. Tinha tudo, tudo para poder deixar um homem aos meus pés. E isso não aconteceu.
Só me apetece chorar e não consigo parar. O Gui já me deu conselhos, a Marta tenta dar-me ânimo. Mas as palavras não valem nada. Valem as acções.
Sinto-me fraca, como ha algum tempo não me sentia. E o pior é que isso se percebe.
Eu sou tão forte. Sou um furacão. Até na Quinta-feira deixei um amigo do Luís rendido ao facto que sou uma caixinha de surpresas.
Mas no fim, isso serve-me de quê?
Continuo sozinha. Maravilhosa. Linda. Fantástica. Mas sozinha. É suposto eu esperar que a culpa é dos outros? Existe aqui um padrão: por mais fantástica que seja não consigo que as pessoas gostem mesmo de mim. A não ser quando sou má.
Devo recomeçar a viver? Ou tornar-me exactamente no reflexo dele? Ou será que finalmente não me estou a tornar precisamente nisso? Numa pessoa que acredita mas que não quer amor?
Afinal, não tenho como escapar ao fado. Vou ficar sozinha por escolha própria.
Já não vale a pena procurar, arriscar, se não estou destinada a ser amada, mas sim à dor.
A minha mãe tinha razão. Estou amaldiçoada desde aquele dia a nunca ser amada, por lhe ter virado as costas. E o triste, é que tudo o que quero no final do dia, é um bocadinho de amor.
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