Soube bem. Desanuviar a cabeça. Ter a Martinha a fazer-me rir com um veterano simpático dela. :)
Ouvir a Mariana a dizer-me que aquilo que tem de ser, tem muita força. Se calhar ela tem razão.
Adorei o meu almoço com o J. Que me fez desanuviar mesmo a cabeça. Eu sempre adorei aquele sorriso. E dá-me pena que alguém que me faz sentir tão bem me tenha passado pelos dedos. Por vezes deixamos escapar oportunidades que nunca mais voltam. Será que ele era o meu "happy ending"? Não interessa. Too late.
Mas ir ao Chiado custou. Custou sentar-me no spot e lembrar-me dos almoços. Passar pela loja, lembrar-me daquela gabardina que comprámos "juntos". Esperar por ele à porta dos armazéns. Apanharmos o metro até Sete Rios e vê-lo sair.
Eu lembro-me, penosamente, disso tudo. Mesmo quando não quero. E não quero. Interrogo-me se ele se lembra das pequenas coisas que fizemos juntos naquele pequeno, pequenino, espaço de tempo. E fico triste. Porque ele não sente a minha falta. Como eu sinto a dele. Não se lembra, não lhe pesa, como a mim. Porque eu gosto de alguém, que na realidade não gosta de mim.
Mas todos os dias, mesmo quando já não estou à espera, choro. E as lágrimas correm sozinhas, sem que eu pense nas coisas. E caem porque o coração assim o sente.
Não é uma questão de ego - pela primeira vez sei que sou fantástica e boa. Boa pessoa, boa mulher, boa amante, boa companheira, boa amiga. E isto não sou eu a armar-me em boa. É um facto. Não sou perfeita, mas sou única e fantástica.
Ele faz-me falta. As conversas, a partilha. Nós já estávamos num compromisso. O compromisso de fazermos parte da vida um do outro. E nisso perdi um amigo. Que nunca mais voltará. Porque essa intimidade - que não tinha a ver com sexo, com paixão, tinha sim com partilha, com compreensão -não vai voltar. Porque ele partiu. E ao contrário da ligação que tenho com a Mariana, que nos fez ainda mais fortes enquanto amigas, ninguém consegue recuperar uma amizade destas. Nem é uma relação amorosa. É uma amizade. Como a que eu tenho com o Will. Que sei que mesmo quando estou um dia sem falar com ele, no dia em que ele precisa de partilhar, ele confia em mim.
A minha avó chamou-me implicitamente fácil. Doeu. Muito. Mas agora que penso nisso, fui incrivelmente estúpida. Dei tudo o que tinha. Fiz All In. Porque achei que ele era o "tal". Mas o "tal" não me deixaria. E agora, o meu coração está naquela bandeja de platina. A olhar e a chamar-me estúpida.
Mas faz parte do processo heartbroken portanto é aguentar. (A que custo?)
E focar-me no date de quinta-feira, nem que seja para arejar a cabeça. :)
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