J - ohhh :') Tento ser. E só tenho pena que os homens não reconheçam isso
M - Reconhecem. E por isso é que se afastam muitas vezes. Por saberem que não são homens o suficiente para te oferecer o que tu mereces"
Querida M.,
É tempo para um desabafo. Não estás aqui, mas estás perto do coração. E lerás as minhas palavras, com o carinho com que eu ouvi as tuas, hoje.
Será que eu não tenho direito a ter um príncipe? A encontrá-lo? A viver com amor?
Eu explico: eu nunca fui amada como acho que mereço. Em criança não o fui, em adulta tenho dado e dado e dado tanto de mim. Onde está a devolução desse amor? Dessa dedicação?
Onde está o meu direito à felicidade?
Sou uma sonhadora, uma dramática, uma apaixonada com tal intensidade que é difícil, muito difícil, escapar à dor e ao sofrimento. Sou assim e tenho medo de mudar. E tenho porque não me quero transformar nas mesmas pessoas que não me deram amor. Nas pessoas que deixaram de acreditar no próximo, no amor. As pessoas que sempre me acharam fraca por o meu coração comandar tanto na minha vida.
Admiro a tua racionalidade. A forma como consegues pensar e manter o pé atrás. O cuidado que tens. Tudo aquilo que te faz tão diferente de mim, mesmo sendo tão parecida.
Gostava de ser mais assim. Ser cautelosa. Sofria menos, sei bem disso.
Desculpo o facto de me atirar de cabeça para tudo com um argumento ridículo de valer a pena correr o risco. Digo que a sensação de ter esperança, de nos irmos apaixonando, é tão boa que compensa o sofrimento, a dor, a mágoa, quando as coisas não correm bem. É uma merda. É uma mentira.
Quando dói, dói mesmo.
E porque acho que te devo a verdade, existe um terceiro argumento para a conversa que tivemos hoje: o fim custa mais que os laivos de dor que existem pelo meio. Porque existe esperança, existe um sonho. No fim, acorda-se e não há nada mais senão uma crua realidade. Por vezes, apetece mesmo continuar no sonho. Mesmo sabendo que é só um sonho.
Quero encontrar o meu happy ending. E acho que não consigo viver sem estar apaixonada, sem amar e sem procurar correspondência. Preciso disto como de ar para respirar.
Não espero que entendas, mas gostava que tentasses entender o que te tento dizer. E porque é que as tuas belas palavras acima, são tão belas mas tão tristes. Porque aperfeiçoei-me para que o homem pelo qual me apaixonasse tivesse todas as razoes para me corresponder. Mas ser o mais perfeita possível, é mais uma maldição que uma coisa boa. E a pouco e pouco vou perdendo a esperança, até um dia me tornar irreconhecível.
Nada é mais assustador que alguém que em nada acredita. Não acreditar no amor é, para mim, não acreditar na vida.
Enfim. Já me alonguei mais do que devia, neste tão triste, tão melancólico discurso.
Sinto-me só. E isso é a pior sensação que alguém que acha que vai morrer num apartamento e ser encontrada anos mais tarde, pode ter.
Love You baby. Thank You for listening.
O mundo é das cabras e dos cabrões. Quem nada quer não se magoa, e isso parece ser moda. As pessoas não namoram, hoje em dia - estão com alguém. E isto é de um egoísmo imenso, ter alguém pelo bem estar que tras, em vez de pela partilha, pelo companheirismo, pela entrega. Mas demora tempo, demora anos de vida a perceber isso, e enquanto os outros não percebem também, quem já entendeu tem que ficar à espera. Perdem-se os vintes nisso, e com azar, parte dos trintas, à espera de alguém que tenha já percebido também.
ResponderEliminarSe ajuda, encontro algum consolo na minha própria consciencia. O mal que fiz e a dor que causei foram, ao menos, sempre sincera. Sofri por quem fiz sofrer, pela dor que causei, e nunca deixei que nenhuma "cabra" me tivesse. Não lhes permito essa sorte. A única maneira de ganhar é não jogar. Quando se bate no carro da frente é algum alívio dizer que nunca se teve um acidente antes.
Mas é uma vida amarga, esta da abstenção, esta do não jogar. Por isso, se ainda houver força, continua. Acredita. Sangra. De outra maneira as pessoas amargam e tornam-se "adultos". E no fim, acredito eu, será melhor saber que se viveu a vida toda do que ter havido uma altura em que não houve forças para outra coisa senão ficar à espera, sentado e quieto.
(Não sei o que estou praqui a dizer, espero que ajude.)
W.,
EliminarAs palavras ajudaram. Muito obrigada!
Não está no meu espírito desistir, virar costas, esquecer. Sou uma lutadora, sempre fui. :)