Especialmente depois do que se passou ontem.
Era meia-noite e tinha chegado ao fim um mês de pianista. Com sucesso, diga-se de passagem. Fantástico mesmo. Cheguei a casa. Levei um raspanete do meu pai: afinal de contas ele ainda tem de se habituar à ideia que eu tenho um namorado presente.
Até aqui, nada de mais. O costume, diria até.
Deitei-me e esperei pela confirmação que ele tinha chegado a casa. Adormeci. Às duas da manhã acordei em sobressalto. Nada. Teria acontecido alguma coisa? Liguei. Atendeu. Algo se passou, já te digo qualquer coisa. E esperei.
{Não sinto saudades, J. É algo que, normalmente, não me assiste. O Will que te diga, que regra geral, se não me procuram, eu também não procuro. E longe da vista, longe do coração. E não quero que contigo aconteça assim.
Tu vais estar ocupado de uma forma que eu não estarei. E claro, que tenho de conseguir viver sem ti. E consigo. Isso não quer dizer que não custe não saber quando te volto a ver. Não saber, se ainda estás comigo.
E por falar em estar com alguém, ficar sozinha assusta. Especialmente porque tenho um historial de efeito de substituição. E não é só com chocolate.
Portanto sim, estou apavorada. Cheiiiinha de medo. Que te esqueças de mim, que eu me esqueça de ti. Que me faças mais falta que eu a ti.}
E esquece o que acabei de escrever. Esquecer-te seria impossivel. Como se esquece um amor destes? A perfeição? A completude? Saber que é assim que é certo. Tu já me marcaste para uma vida inteira. E compensaste toda a falta de amor que senti durante a minha vida.
Pois claro, poderás argumentar que só se passou um mês. Que ainda não te conheço bem. Mas já passei contigo mais tempo que com qualquer outro homem, à excepção do Thèo.
És a minha casa.
{E não quer dizer que eu desista.} Estou contigo com armas e bagagens. Mas não é bem esse o problema. (Porque eu amo-te de uma forma que nem as palavras todas do mundo conseguem ilustrar.)
O problema é que eu também tenho bagagem. E medo. E neste momento tenho uma mágoa que me fere horrivelmente. "então e ela já anda a comprar casacos de mota? Daqui a um bocado compra-te o assento do pendura".
Nunca ninguém teve a coragem de falar assim sobre mim. Geralmente acham que sou boa, que faço bem, que sou o equilíbrio da outra parte. Aparentemente para o teu pai sou outra coisa qualquer. E isso fere. E tu sabes que sou sensível. Forte, mas sensível.
Se calhar foi por ter dormido na mesma cama. Faltei-lhe ao respeito, portanto ele acha que eu não presto. Se calhar é isso mesmo.
Não sei. Sei que estou triste. Muito triste. Sei que sou criança. (Não somos todos?). Sei que tenho medo. E que agora me apetece mesmo um gelado. E chorar. Porque te amo. E porque me tinha esquecido que amar também dói.
P.S.- Esta vale também para o Will - até que ponto devemos abdicar de nós e das nossas necessidades para "ajudar" a Familia? Onde riscamos a linha que separa o adequado e o demasiado?
Ó miúda, assim deprimes-me.
ResponderEliminarDá-te por satisfeita, que no sítio e no tempo em que vives, não obrigam um ou outro a casar com um perfeito estranho só por dinheiro. Isso sim, seria mau.
A vida lança bolas curvas para que lhe dês valor. Se vocês forem sérios em relação um ao outro, tudo correrá bem. Não stresses demasiado, para que a relação não sofra a abrasão dos teus medos. Foca-te no essencial - no que vocês sentem um pelo outro.
E quanto a terceiros, Familia, amigos e isso, caga neles. Caga na opinião dos mesmos. O que importa é o que se passa entre ti e ele. Não podes agradar a toda a gente, portanto preocupa-te em agradar a ti mesma e tentar ser feliz.
Xoxo