domingo, 7 de setembro de 2014

Paranóia

Ele vai partir. Amanhã. Nem sei exactamente quando volta. Voltará um dia. 
Não consigo dormir. Tenho medo. 
Que me deixe conquistar pela saudade. Que entre em paranóia. Que passe a ser insuportável.
Desinteressante.
Que ele se aborreça. Que parta de vez.

Foi o ultimo dia. E nem soube a despedida. Não soube a nada. 
Não estamos bem. Não há aqui culpados. É assim a vida. É isto que acontece, por vezes. A separação stressa e nós acusamos o desgaste só da preocupação do que daí virá. 
Para ele uma casa nova, trabalho novo, um mundo novo. Para mim a distância. A solidão. A perda do Francês e de me sentir parte de um casal quando lá estamos. Ou. Estar em casa dos pais dele e sentir-me filha também. As coisas mudam. E eu tenho medo da mudança. 

Quero despedir-me como deve ser. E nem isso posso. Nem suave e doce. Lento e memorável. 
Tenho a sensação que estou a rebentar pelas costuras de ansiedade, de carência. Quero explodir, para que a calma volte e eu tenha de novo estabilidade emocional para lidar com tudo isto. 

Ele vai. Eu fico. Eu só consigo pensar no quanto o amo. E ele só consegue pensar nos problemas que tem de resolver. Eu fico. Ele vai. E por isto, a despedida sabe a pouco. 

Tenho medo de ter saudade a mais e não a conseguir suportar, ou deixar que a rotina se instale, que a necessidade de dizer que sinto falta se evapore e que um dia ele me diga que as coisas mudaram, que dormiu com outra. 

Eu amo-o. Ele vai partir. Eu fico.  

5 comentários:

  1. "I don't keep people. I let them free to go when they want. If they don't come back, its because I never had them." - Lennon, more-or-less...

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    1. Que comentário mais ruim (Já pareço brazuca, nêim?)
      Se assim for, damos numa de comunistas e nunca nos dedicamos à pessoa e à relação tudo o que temos, tipo "põe o mínimo no máximo que fazes".
      E digo isto sobretudo porque somos pessoas, criamos ligações com o próximo, sejam de que tipo for.
      Claro que existe o risco de desentendimento, de a relação ou a pessoa não resultar, mas daí a estarmo-nos nas tintas se isso acontece porque se assim for, who cares, vai uma grande diferença.
      Eu não sei quanto a ti, mas se a pessoa me ama ou se considera minha amiga, então foi "minha" de qualquer maneira. Não quer dizer que eu possa dispor da sua vida e ser dona da pessoa. Quer sim dizer que há um compromisso, um entendimento de qualquer modo, que nós dedicaremos um ao outro. Como que um conjunto de expectativas. Que claro, podem sair defraudados. Como esperarmos que alguém com quem já conversámos se lembre de nós. Que nos diga um olá ou pelo menos não finja que não nos conheça. Ou que um amigo só nos responda quando lhe oferecemos um jantar. Ou até o namorado só se lembrar de nós, só querer saber, só ser fiel quando estamos por perto. O respeito que temos pelo próximo expor nós próprios ditará o quão normal nos parecerá qualquer das hipóteses supramencionadas.

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  2. Não vale a pena prenderes-te ou tentares prender alguém. Eu prefiro que - se tem que ir - que vá, e queira voltar, do que fique o tempo todo quando na verdade preferia ir.

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  3. Não é prender. É sofrer. É esperar. É sofrer enquanto se espera.

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    1. Mas olha, tu nunca entendeste esta forma romântica como vejo as coisas. És mais cínico.

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