E se hoje já me começo a habituar, sem sentir permanentemente que o meu ego ou a auto-estima estão a engolir uma mina, algumas questões se levantam nesta coisa do "é só olhar".
Ele diz que olha, mas que no fundo só me quer a mim. Quer, porque não pode melhor, ou quer porque sou eu? É a minha individualidade, os meus detalhes, como os sinais do meu peito, cada vez que falo em finlandês, quando lhe conto uma história qualquer da Segunda Guerra Mundial ou a forma como atravessaria o inferno para o ir buscar? É isso? Ou é o facto de ser atingível e na medida do possível, reunir um número decente de qualidades?
Depois há outra coisa. Dizem que os homens olham para uma mulher na rua mas meia hora depois não se lembram dos detalhes da sua imagem. Então e as que não são da rua e são da "casa"? As mulheres que passam e passaram na vida da pessoa e cujos contornos são inesquecíveis por alguma razão - emoção que despertou, tempo de convivência, etc. - e que são tão mais perfeitas visualmente que eu? As Adrianas, as Raquéis, as Nadines, as Ângelas, as outras que pintam o cabelo de azul, magras, lindas, esteticamente perfeitas.
Como é que se pode dizer que não se cobiça algo assim quando se comenta essa perfeição? Quando se tem gravado como uma tatuagem na cabeça essa beleza?
Se alguma delas o tentasse conquistar, até que ponto ele diria "não"?
Até ao ponto de eu ser a perfeição. Isso aprendi também eu em tempos. Ninguém tem que se preocupar com concorrência ou cobiça do alheio quando se tem os holofotes apontados a nós.
Talvez não seja o indivíduo a ganhar nesta coisa do amor. Talvez seja só uma soma de imagens. Por isso quiçá, é que a estética sempre foi um tema discutido na Filosofia. Se fosse tudo tão simples, ninguém se preocuparia com os porquês. E eu não teria escrito este post.
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