Vim passar duas semanas com a família, na esperança de acordar de manhã, fazer a mochila e ir para a praia, aproveitando para estudar na areia. No aniversário do meu pai iríamos festejar e celebrar com um jantar gostoso, champanhe e com um passo de dança.
Nada disto aconteceu.
No domingo fui à praia pela primeira vez com a minha cadelinha boxer, a Cuba. Ela bebeu água do mar a mais e começou a tentar vomitar. À noite ficou pior. Resultado: dois dias de internamento com o prognóstico grave. Colapso da traqueia e um coração muito dilatado. A traqueia implicava a possibilidade de ela nunca mais conseguir respirar normalmente outra vez.
Essa foi também a última noite que a minha avó passou em casa.
Depois de aguentar horas, dias, com muita dificuldade a respirar, na segunda lá a levei ao hospital. Queriam dar-lhe alta mas insisti no internamento, com razão.
Tudo é desculpa para o problema dela: desde líquido no pulmão, derrames, alergia, coração, cancro. As apostas já são numerosas. Mas ela não fica melhor, e lá se agarra a mim, enquanto nos relembramos que nos amamos.
É tudo poderia ser fácil, mas com o meu avô a precisar de cuidados continuados e a dizer que me mata com uma machadada na cabeça quando o chamo à atenção, eu cada vez aguento menos.
A vontade é partir. A minha cabeça cada vez aguenta menos. E o meu coração idem.
O que será de mim num mundo tão cedo sem a minha avó?
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