Em que preciso de alguém que aqui não está. Para me tirar todos os medos. Para me relembrar que não estou só.
Não gosto desta sensação. De ter medo cada vez que viro as costas. Da necessidade de olhar pelo canto do olho. De tanta coisa. De tanta coisa.
Dos meus sonhos nunca se tornarem reais. De não conseguir ter aquele momento fantástico em que chego a casa, dispo o fato do trabalho, o tailleur do costume, e ter alguém a quem contar o meu dia, com quem partilhar uma refeição, um cigarro, um copo de vinho. E com quem depois fazer amor. Ou sexo, dependendo do dia e do cansaço das minhas pernas.
Há dias em que me apetece ter uma tel. para despejar cor, sujar-me e ter algo em que despejei os sentimentos e uma razão para me colocar debaixo da água com fé que me limpe.
Estou aqui, na cama. Sozinha. A tentar sobreviver a mim própria. A fazer um esforço tremendo para não me espancar. Ou não me odiar. Ou pelo menos, não sentir nada negativo a meu respeito.
Por agora, só me apetece vomitar. É a corrosão. O declínio em mim.
Este meu lado magoado, desiludido e desconfiado.
Estou acabada. Derrotada. Como se uma katana me tivesse cortado ao meio.
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