terça-feira, 17 de junho de 2014

As bodas de Figaro

                  Acto I

No sábado passado, o meu namorado levou-me ao casamento do J., um dos meus ex's.
O J. e eu começamos a namorar em Setembro de 2009 e acabámos num instantinho. Falta de confiança, 7 anos de diferença e a interferência de amigos ditaram o fim. Mantivemo-nos amigos, mesmo enquanto ele tentava minar a minha relação com o Thèo por ainda, nas suas palavras, gostar de mim. Quando começou a namorar a actual esposa, procurei-o eu. Mas era tarde. Os astros nunca se alinharam para nós. E ainda bem: foi preciso ele trair a noiva comigo, apesar de lhe ter pedido distância, para perceber o tipo de homem que ele é. E eu não mereço alguém assim. 


                   Acto II

Estávamos ambos fantásticos. A elegância dele faz qualquer fato cair-lhe bem e eu vesti um vestido especial, de designer, com jóias belíssimas emprestadas pela minha avó. 
Chegados à Guia, mal vi uma amiga, corri até ela. Para além da companhia do JB precisava de uma âncora que conhecesse, para não me sentir tão...à parte. 

A homilia meteu medo. E esperar pela noiva num vestido lindo mas super "cobertura de bolo" foi dispensável. Mas ainda assim, foi uma cerimónia bela. Cumprimentar os noivos foi um awkward moment. Nada que um whisky não tenha ajudado a superar. 

                    Acto III

O copo de água soube bem. A comida estava deliciosa. Mas sobretudo, serviu para pôr a conversa com a Inês em dia. Para saber as coisas boas e as más. E não imaginam como foi um prazer ver o JB a socializar. É tão bom ter um namorado que é suficientemente culto, inteligente e interessante para manter uma conversa. Desde música até carros. E confiar nele ao ponto de lhe dizer para ir com a amiga ao carro dela custar o novo modelo da BMW. 
Afinal de contas, ele foi o único que puxou a cadeira à sua companheira. 

                    Acto IV

Para fechar a nossa noite, assistimos ao fogo de artifício, oferecido por uma das nossas conhecidas e convidada, que também nos prometeu tabaco com preço de desconto vindo dos Açores. 
Foi lindo. Exagerado, como quase tudo neste casamento. Mas lindo. 
Cortou-se o bolo. E passaram um filme com um registo fotográfico da vida de cada um dos noivos e depois dos noivos enquanto casal. Acabaram com um vídeo do casamento e dos votos. 
Foi aí que percebi - a noiva sabe com que tipo de homem se casou. E todo o carinho e uma certa pena que sentia por ela, transformou-se em indiferença. Uma mulher que sabe que o seu esposo não é só dela e nos tempos actuais tolera isso, não merece muito do meu respeito. 

Senti-me como lixo, ainda assim. Alguém que tem uma mulher daquelas, meiga, bela, com uma vida delineada, só precisa de mim para usar e descartar. E sim, fui das poucas convidadas para o casamento, supostamente fazendo-me sentir especial. Mas não foi a especial que soube. 

Só que esse sentimento não durou muito. Alguém muito importante se encontrava ao meu lado. 
Não preciso de olhar para trás. Encontrei o meu final feliz. 
E quando senti que fiz o meu papel na boda, pedi-lhe que nos levasse para casa. E ele pegou-me ao colo, aliviando os meus pés sofridos até eu poder entrar no carro e trouxe-me. 
Fizemos amor. E foi fantástico. 

Não precisamos de fogo de artifício. Nem de grandes festas para celebrar o nosso amor. 
Nós celebramos todos os dias ao olharmos um para o outro, com aquela certeza que pertencemos um ao outro. E que somos felizes a dois. 

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