Na minha mão direita balanço uma caneca com o meu café com leite. Enquanto isso, o sol põe-se lentamente.
Espero por ti. Espero que chegues. Até mim. Até casa. Sinto a tua falta.
E sinto a mão da nossa filha a agarrar a minha.
"Mamã", chama ela. Pergunta quando chega o papá. Está quase a chegar, digo-lhe eu. Faço-lhe festas na cabeça, no suave cabelo ondulado louro. Parece um anjo. Mas é claro, qualquer filha parece um anjo aos olhos da sua mãe. Olho para baixo, um pequenino pedala a sua bicicleta na calçada junto à praia. Sorrio. Lembro-me como ele me diz, que quando for mais velho quer ser como o pai e ter uma mota. A irmã tem medo. E ainda bem. Menos uma com que me preocupar. E ainda bem que é a única sã na família. Rio-me sozinha. Ela pergunta porque me rio. Digo-lhe que estou feliz. Que tenho o melhor marido do mundo e uns filhos perfeitos.
"Mas mamã, o Guilherme não é perfeito. É tão chato! Não me deixa andar na bicicleta dele!" Sorrio. Têm uma rivalidade fantástica eles. Parecem andar sempre às turras, mas de vez em quando lá os apanho, a dormir, agarrados um ao outro, de mão dada.
Ouço as ondas a bater, abafadas pela tua chegada. Desligas a tua preciosa, o teu filho larga a bicicleta e corre até ti. Abraça-te. E as lágrimas vêm-me à cara. Nunca pensei ser feliz, ter uma família. A minha família.
Bracejas e atiras um beijo. Pego na Margarida ao colo e ando até à porta. Rodas a chave. E ainda estou a choramingar silenciosamente. "És tão lamechas, tu.", dizes-me. Depois sorris. E beijas-me. É um beijo carinhoso mas fogoso ao mesmo tempo. A Margarida queixa-se que também quer um beijo do papá.
Jantamos. E antes do Gui e da Margarida irem para a cama tu tocas para nós.
Porque a mamã gosta e faz bem aos meninos.
Depois contas-lhes uma história. É a vez do papá.
Chegas ao quarto exausto. Estou na casa de banho. Saio com uma camisa de noite fabulosa. Tu babas-te. Tiveste saudades minhas. Fazemos amor e adormecemos juntos. Como é suposto acontecer.
Mas quando eu acordo, tacteio à tua procura. Acordo no meu quarto. Não no nosso. Não passou dum sonho. Um bom sonho. Que um dia será real. Um dia...
quem quer que ele seja, espero que veja isto, poque tenho um conselho para ele:
ResponderEliminarAtenção, sim? Ora bem,
esquece os teus pertences, caga nas malas
não penses duas vezes. Levanta o rabinho,
e dá o basa! Sai. Deixa um buraco na porta com o teu contorno, é como quiseres, mas basa daí, mano.
Elas quando começam a pensar em filhos, tá tudo estragado.
Que comentário mais ranhoso. Um dia hás de dar o devido valor às coisas. Só espero é que não te arrependas por teres fugido é por não poderes viver algo então maravilhoso como a paternidade.
ResponderEliminarE se ele fugir, então é uma desilusão enquanto homem. Dará lugar a alguém que queira o sonho. Alguém forte. Sim que eu sempre ouvi dizer que quem foge é cobarde.
Além disso, vocês podem fugir e fugir, mas não se podem esconder. A realidade bate à porta, eventualmente.
"E por não puderes"
ResponderEliminar