Deixem-me ir embora
Daqui deste mundo
Deste rasgar de sonhos
Onde quanto mais se anda
Mais distante se fica.
O sol eclipsou-se
E resta medo
Tristeza e cansaço.
Tanto cansaço.
Cansaço que mói.
Cansaço que dói.
A minha cabeça já não aguenta.
É tempo de partir.
De partir e não voltar atrás
Parar de vez e ir
De apanhar o caronte
Ou de ele me apanhar a mim.
Não tenho casa
Não tenho vida
Não tenho dinheiro
Não tenho nada.
Só as moedas no bolso
Para o barqueiro.
Deixem-me ir.
Já basta de sofrimento
Basta de sonhar e de acordar
Basta de chuva. Já chega
De acreditar que existirá um futuro.
Já chega. Deixem-me ir.
Sem comentários:
Enviar um comentário