quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Deixem-me
Deixem-me ir embora
Daqui deste mundo
Deste rasgar de sonhos
Onde quanto mais se anda
Mais distante se fica.

O sol eclipsou-se
E resta medo
Tristeza e cansaço. 
Tanto cansaço.
Cansaço que mói.
Cansaço que dói. 

A minha cabeça já não aguenta. 
É tempo de partir. 
De partir e não voltar atrás
Parar de vez e ir
De apanhar o caronte
Ou de ele me apanhar a mim.

Não tenho casa
Não tenho vida
Não tenho dinheiro
Não tenho nada. 
Só as moedas no bolso
Para o barqueiro. 

Deixem-me ir. 
Já basta de sofrimento
Basta de sonhar e de acordar
Basta de chuva. Já chega
De acreditar que existirá um futuro.
Já chega. Deixem-me ir. 



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