Tento manter-me de pé, orgulhosamente, e virar o peito às ondas que batem furiosas.
Mas não deixo de sentir o desgaste da areia e a força do mar.
Que é como quem diz, a força de um dia menos bom.
Porque mau não é. Estamos vivos, comemos e até conseguimos dormir com um pouco de paz.
Mas felicidade, onde está ela? Ou alegria? O sorriso, o carinho, o olá mais alto. O prazer em viver, comer, amar e dormir?
Hoje é um daqueles dias em que me quero aguentar. Mas também quero ir de joelhos ao chão. Estou cansada, hoje. Sou só uma mulher, não sou um rochedo.
Não consigo chorar, o que é ainda pior.
Acho que cresci um pouco. Tenho vindo a perder a inocência cada vez que olho para trás.
Afinal de contas, já não sou a "-inha". O meu nome perdeu o diminutivo. Já não sou princesa. Tenho outros desafios. Outra força.
Fica a mágoa. Porque os meus braços estão estendidos para um abraço. Mas há todo um limite de rejeições que os meus braços podem levar. O meu coração ou o meu ego.
Nem sei bem qual deles. Mas algo está ferido.
Não tenho culpa, só tento ajudar. Também não têm culpa, bem sei. Mas eu não a tenho certamente. E mesmo assim, mesmo com os meus próprios dramas, os braços estão estendidos. O abraço está aqui. O conforto.
É ingratidão o olhar de reprovação. O tom mais alto. O "cala-te" e todos aqueles pequenos tiques que uma pessoa irritada usa para fazer de nós saco de boxe.
Hoje aguento menos os socos. Ou então, hoje sabem-me a socos. Sabe-me o sangue na boca.
Talvez me faça falta o meu eu em diminutivo. Um bocado de sabor a sal. Talvez assim passasse mais depressa. E eu, bem, eu não estaria a escrever isto.
Amanhã será outro dia. Mas não se avizinha solarengo. Muito pelo contrário.
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