quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A tua amiga tira-me o sono

Eram nove quando o sono começou a bater. Não era de admirar. Nas duas últimas noites acordei invariavelmente às 5 da manhã. Sobressaltada. Sempre com o mesmo pesadelo. 
Nesse pesadelo tu tens outra namorada. Como que uma vida paralela onde eu não existo. Respondes-lhe às mensagens dela primeiro, falas de coisas que não queres falar comigo, dizes que a desejas, que ela puxa por ti, que a queres e que estás feliz por tê-la conhecido. 
Fico pelo menos duas horas a digerir este sonho. A separar a realidade da ficção, do que a minha cabeça faz para me enrolar, me enganar. 

Falta um quarto para a uma da manhã e eu sinto uma dor lancinante no peito. Não sei porquê. Afinal de contas tive um dia razoavelmente bom. 
Tomei um calmante e mesmo assim apetece-me chorar. Não compreendo. A sério que não. 

Só queria que estivesses aqui, abraçado a mim, a garantir que estou segura, que me posso sentir segura. Não estás. E eu aqui fico, em sofrimento, em ebulição, com uma náusea psicológica que se transpõe para o físico. 


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