quarta-feira, 21 de junho de 2017

As coisas que se dizem e não se dizem. O significado de se ser adulto.

Aprendi eu pela minha experiência com o Will, que há coisas que se querem dizer, mas não se devem dizer. Porque se amamos as pessoas, mesmo que o cuidar do outro nos dê vontade de tirar o filtro e atirar tudo à cara, simplesmente não vale a pena porque só vai magoar.

Outra coisa que eu aprendi, foi o custo de sermos adultos: criamos menos ilusões, desiludimo-nos menos, é verdade, mas vemos tudo com um ar mais cínico, mais frio.

Ninguém é perfeito e eu não o sou certamente. Mas a vida ensinou-me determinadas coisas. Como as causas e consequências e para algumas coisas, eu já consigo prever o desfecho.

Eu já previa o desfecho, que se o meu companheiro não marcasse férias com antecedência, não poderíamos passar tempo com o meu pai e sobretudo o seu 60º aniversário. Eu nunca passei um aniversário do meu pai longe dele. Nós somos uma família disfuncional. Mas o meu pai é, verdadeiramente, a única pessoa que me resta. Mesmo com o mau feitio dele.

Por isso repeti vezes sem conta "não te esqueças de marcar as férias". Ele nunca marcou. O que quer dizer que alguém marcou aquelas semanas por ele.

Não morre nenhuma foquinha no Alasca, não é o fim do mundo. Mas era importante para mim.

O que é que se diz a uma pessoa que faz isto e ainda nos diz "Desculpa, não foi de propósito"?

Eu expliquei-lhe o que é o dolo. E as diferenças de dolo directo, eventual e necessário. E como "de propósito" pode ter muitas medidas.
Disse-lhe o que me ia no coração e o que teria de mudar para conseguirmos afinar as agulhas. Não precisamos de ser iguais, mas precisamos de ser um bocadinho mais protocooperantes.

Isto tudo sem dizer tudo o que me ia na cabeça e na alma. Com ponderação.

Estou a começar a deixar de criar ilusões. E a ganhar um filtro.

Estou a ficar mais adulta. E não sei se gosto.

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