segunda-feira, 23 de junho de 2014

Chama-me o vento, chama-me um sonho

Os meus cabelos dançam um tango com o vento. Estou sentada na varanda a olhar para o mar.
Na minha mão direita balanço uma caneca com o meu café com leite. Enquanto isso, o sol põe-se lentamente. 

Espero por ti. Espero que chegues. Até mim. Até casa. Sinto a tua falta. 
E sinto a mão da nossa filha a agarrar a minha. 

"Mamã", chama ela. Pergunta quando chega o papá. Está quase a chegar, digo-lhe eu. Faço-lhe festas na cabeça, no suave cabelo ondulado louro. Parece um anjo. Mas é claro, qualquer filha parece um anjo aos olhos da sua mãe. Olho para baixo, um pequenino pedala a sua bicicleta na calçada junto à praia. Sorrio. Lembro-me como ele me diz, que quando for mais velho quer ser como o pai e ter uma mota. A irmã tem medo. E ainda bem. Menos uma com que me preocupar. E ainda bem que é a única sã na família. Rio-me sozinha. Ela pergunta porque me rio. Digo-lhe que estou feliz. Que tenho o melhor marido do mundo e uns filhos perfeitos. 
"Mas mamã, o Guilherme não é perfeito. É tão chato! Não me deixa andar na bicicleta dele!"  Sorrio. Têm uma rivalidade fantástica eles. Parecem andar sempre às turras, mas de vez em quando lá os apanho, a dormir, agarrados um ao outro, de mão dada.

Ouço as ondas a bater, abafadas pela tua chegada. Desligas a tua preciosa, o teu filho larga a bicicleta e corre até ti. Abraça-te. E as lágrimas vêm-me à cara. Nunca pensei ser feliz, ter uma família. A minha família. 

Bracejas e atiras um beijo. Pego na Margarida ao colo e ando até à porta. Rodas a chave. E ainda estou a choramingar silenciosamente. "És tão lamechas, tu.", dizes-me. Depois sorris. E beijas-me. É um beijo carinhoso mas fogoso ao mesmo tempo. A Margarida queixa-se que também quer um beijo do papá. 

Jantamos. E antes do Gui e da Margarida irem para a cama tu tocas para nós. 
Porque a mamã gosta e faz bem aos meninos. 
Depois contas-lhes uma história. É a vez do papá.

Chegas ao quarto exausto. Estou na casa de banho. Saio com uma camisa de noite fabulosa. Tu babas-te. Tiveste saudades minhas. Fazemos amor e adormecemos juntos. Como é suposto acontecer. 

Mas quando eu acordo, tacteio à tua procura. Acordo no meu quarto. Não no nosso. Não passou dum sonho. Um bom sonho. Que um dia será real. Um dia...

3 comentários:

  1. quem quer que ele seja, espero que veja isto, poque tenho um conselho para ele:

    Atenção, sim? Ora bem,
    esquece os teus pertences, caga nas malas
    não penses duas vezes. Levanta o rabinho,
    e dá o basa! Sai. Deixa um buraco na porta com o teu contorno, é como quiseres, mas basa daí, mano.

    Elas quando começam a pensar em filhos, tá tudo estragado.

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  2. Que comentário mais ranhoso. Um dia hás de dar o devido valor às coisas. Só espero é que não te arrependas por teres fugido é por não poderes viver algo então maravilhoso como a paternidade.
    E se ele fugir, então é uma desilusão enquanto homem. Dará lugar a alguém que queira o sonho. Alguém forte. Sim que eu sempre ouvi dizer que quem foge é cobarde.
    Além disso, vocês podem fugir e fugir, mas não se podem esconder. A realidade bate à porta, eventualmente.

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